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quarta-feira, 25 de maio de 2011

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Lynne Ramsay - Ratcatcher (1999)



"Essa é uma daquelas raras vezes em que você se depara com uma sutileza densa."
Frase dita por um grande amigo, em uma ocasião que eu não lembro qual foi.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

12

Jacques Tati - Play Time (1967)



O único jeito de se conhecer bem uma cidade é se perdendo dentro dela.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

11

Carlos Reygadas - Stellet licht (2007)



Pequeno aforismo sem título n° 2

O mundo é finito, assim como o homem; contudo, contém dentro de si o infinito – intrínseco em tudo aquilo que ainda está invisível.

O devir do espírito, inserido dentro do tempo inexorável, é – em si – incálculavel.

A sinfonia do caos é, em quase toda sua extensão, silenciosa.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

10

David Cronenberg - Naked Lunch (1991)



O movimento beatnick é um incentivo literário à preguiça como método de trabalho.

O movimento beatnick é um incentivo literário à preguiça como método de trabalho. Nem todos, claro; afinal, existiram também os que podemos chamar de beats verdadeiros, como William S. Burroughs, por exemplo. Em Burroughs, o experimental é a regra; deve-se mergulhar, o mais profundo possível, nos mais obscuros e extremos subterfúgios da ignomínia humana. Caos é brincadeira perto disso. Estamos todos completamente fodidos, nos diz Burroughs.

O que é preocupante, se é que podemos dizer dessa forma, é toda essa idiotice pseudo-hedonista que vem se alastrado desde que esses adolescentes mesquinhos começaram a ler Jack Kerouac e seu On The Road, “vamos todos meter o pé na estrada!”. Deprimente, melhor dizendo, ver esses jovens sonhadores (que acham que podem mudar o mundo, que são todos grandes sensíveis, espíritos elevados, embriagados de poesia, vinho e marijuana, que acreditam em uma forma de vida verdadeiramente verdadeira, algo mágico) serem completamente destruídos assim que se deparam com a crueldade nua e crua das cidades. Atordoados e completamente à deriva, eles são conduzidos – em estado transe – em direção às engrenagens inexoráveis e insaciáveis da sociedade capitalista, sendo espremidos até virar suco de laranja.

Esse é o destino a ser alcançado, mais cedo ou mais tarde, por esse jovem intelectual, que vinha até então se alimentando (culturalmente e fisiologicamente) à custa do pai e da mãe, que sempre – desde seu nascimento – acolheram com carinho o querido parasita; eis que ele se vê então, de repente, por sua conta e risco, e se apreende em sua condição de ser condenado à liberdade, de sobrevivente no mundo.

Isso é um surto espiritual em plena luz do dia, meu caro.

Quantas pessoas, jovens e velhas, estão dispostas, hoje em dia, a sacrificar suas vistas pelos livros (como o fizeram Jorge Luis Borges e James Joyce)? Hein, quantas? É improvável que se conheça pessoalmente, em nossos círculos de amizades, ao menos uma. Quantas pessoas agora, nesse exato instante, estão vivenciando uma experiência realmente profunda dentro de suas mentes…?

Bem menos do que você acredita, pode apostar.

Porra, é difícil pensar em algo realmente espiritual e/ou profundo quando você tem que estar se preocupando constantemente com as contas que ainda não foram pagas, os prazos que devem ser cumpridos, os itens numerados numa lista que chamamos de “agenda”; e o tempo, inexoravelmente fatiado pelas engrenagens metalicamente impiedosas de um relógio, com seus ponteiros afiados decapitando cabeças por aí. A realidade é uma merda, quando você se dá conta disso, ela deixa de simplesmente feder; ela começa a te afogar.

E agora, cadê a estrada, galera?

Esqueça – o sonho acabou.

terça-feira, 3 de maio de 2011

9

Shari Springer Berman, Robert Pulcini - American Splendor (2003)



Direitos malditos

Quando se é pobre, a pior parte do seu dia-a-dia é ser obrigado a exercer o tal do direito de ir e vir. Faz parte dos direitos inalienáveis, eles dizem. Direitos naturais, eles dizem. Só que o que poucos parecem se dar conta – mas todos vivem na pele – é o fato de que não há nada de natural nisso.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

8

Chris Marker - La Jetée (1962)



O território do olhar


Quando alguém te olha e você percebe que, por detrás desse olhar – comprimindo-se em um pequeno ponto do cérebro, e transparecendo, apenas muito sutilmente, em mínimas contrações faciais – se escondem uma série de juízos de valores e julgamentos em geral, sendo esses completamente alheios aos seus sentimentos e sua história; é quando nos damos conta do quão difícil é ser humano nos dias de hoje, andar nas calçadas, sobreviver no mundo.

Um mundo indiferente, particular, residindo em cada olhar; quando todos eles resolvem se voltar contra você, o que fazer senão se encolher?

domingo, 1 de maio de 2011

7

Béla Tarr - Werckmeister Harmóniák (2000)



Indagação ao nada

O que é mais universal, o medo ou a preguiça?

(acho que a preguiça e o medo têm feito com que eu me esqueça de mim mesmo…)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

6

Michael Haneke – Das Weiße Band (2009)


Pecado original = Medo?

É possível perceber em muitos dos indivíduos, assim ditos, crentes (cidadãos que se autodenominam como pessoas de bem, tementes a Deus), uma terrível forma distorcida de uma das mais fundamentais capacidades humanas – o discernimento. Não raro, confundem o próprio medo que têm de si próprios – ou do seja-lá-o-que-diabos conhecem pelo nome de pecado – como já sendo a virtude em si. Estão enganados; medo é medo, nada mais.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

5

Luiz Fernando Carvalho - Lavoura Arcaica (2001)


Pequeno aforismo sem título

Um pai amaldiçoa um filho com a brevidade da vida – um reducto absurdum de toda experiência humana.
O tempo é o preço da memória; a existência só existe na consciência.
Aqueles que ainda não morreram, matam os que já estão mortos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

4

Jan Svankmajer - Tma/Svetlo/Tma (1989)



Silogismo vítimista

Estamos vivendo em meio a um vítimismo fatalista – um mundo onde todos são vítimas, vítimas das vítimas, vítimas de si mesmos; em uma eterna busca por culpados imaginários.

terça-feira, 26 de abril de 2011

3

Jackson Pollock - Number 3 (1950)


a) O existir humano é o organizar o caos;
b) Para sobreviver na entropia, a paranóia é obrigatória. Pynchon explica;
c) A vida brilha mais quando se vê cercada pelas sombras da morte. Ela é vaidosa;
d) A principal qualidade da vida é a morte;
e) Teremos que aprender a nos distrair com o vazio.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

2

Timur Bekmambetov - Nochnoy Dozor (2004)


Si fallor, sum

Ajudar é um erro.

Nenhum gesto – nada –, por mais precioso que possa vir a ser, terá um alcance tão profundo e importante quanto teria, esse mesmo gesto, se tivesse partido das próprias mãos daquele que está a ser ajudado.

Somos naturalmente inclinados ao desinteresse pelo que "vem de fora". Ser humano, na maior parte do tempo, significa Ser egoísta.

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David Lynch - Lost Highway (1997)



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Por "processo": tudo aquilo que Ainda não terminou; mas já começou…
Começou, de novo.
Mas até quando dessa vez?